
Muitas pessoas consideradas cultas e de boa posição social, se escandalizam e se sentem chocadas com a idéia do sacrifício de sangue de Cristo, que classificam de medieval. Entretanto, essas mesmas pessoas não se sentem tão chocadas com a violência cotidiana das ruas e muito menos com a repugnante violência silenciosa praticada contra os deserdados pela sociedade . Mas essa rejeição ocorre na verdade por não se perceber a natureza totalmente transcendente do sacrifício de Jesus e a natureza visceralmente carnal de nossos pecados. Quando se rejeita a idéia da purificação pelo sangue e pelo sacrifício, na verdade o que se rejeita é a própria natureza pecaminosa humana , herdada do primeiro homem, por toda a humanidade. Sei disso porquê já comunguei destas doutrinas espiritualistas, e julgava absurda a idéia de um Deus que ordenava a seu próprio filho sacrificar-se neste mundo de forma tão brutal, para que a humanidade pudesse ser redimida. Entretanto, Deus me mostrou um dia que hediondo era o estado de corrupção em que se achava minha natureza humana, estado esse comum a todos os homens e que ensejara a necessidade do sacrifício de sangue assumido por Jesus, por amor a mim. Essa natureza degenerada sim é verdadeiramente odiosa, vil, cruel e digna de repulsa. Mas ignora-la e encobri-la sob um manto de nobres intenções e pomposos rituais, sejam meramente formais ou de conteúdo mágico, não a destruirá. A única forma de eliminarmos definitivamente de nosso ser essa natureza corrupta é através de Jesus Cristo. Essa obra de redenção inicia-se com a conversão e o batismo cristãos, ato pelo qual somos justificados perante Deus, por nossa vida pregressa de erros e transgressões e nos propomos viver uma nova vida, totalmente dependente agora da vontade Deus e de sua Lei. Recebemos assim de Deus assim, se entregamos sinceramente nossas vidas em suas mãos, a condição de filhos adotivos e buscamos então, com todo nosso ser, conhecer o nosso Pai celestial, e aprendemos assim a amá-lo e obedece-lo, buscando também amar o nosso semelhante com a nós mesmos. Apesar de havermos, por essa conversão, e pelo arrependimento sincero, obtido o perdão de Deus por nosso erros, de reconhecermos haver sido lavada a nossa alma pelo sangue de Cristo na cruz, continuamos carregando ainda a nossa natureza pecaminosa. O sangue de Jesus nos purificou de nossa carga ancestral de pecados, mas não destruiu o nosso corpo de pecado. Cristo, em seu sacrifício, venceu a morte e o pecado. Isso significa que, se Cristo vive em mim, e se eu o tenho verdadeiramente como meu Senhor de minha vida, tenho também assegurada a vitória sobre a morte e o pecado, desde que eu me empenhe nessa batalha....O pecado não pode prevalecer sobre mim, por si mesmo, embora eu ainda tenha entranhada em minha carne a natureza pecaminosa. Se eu viver os ensinamentos de Jesus e não apenas crer em seu sacrifício e suas palavras, amando, suportando e servindo, poderei então dizer, ao deixar esse mundo: Está consumado. Terei então concluído a carreira, vencido o bom combate e consumado enfim em minha vida a vitória conquistada por Cristo para todos nós, sobre a morte e o pecado. Esta obra requer um compromisso maior de cada indivíduo, de tomar a cada dia a sua cruz, ou seja, a carga de suas tribulações e provações, resultantes de sua própria natureza pecaminosa, e seguir adiante, com renúncia e abnegação até o dia de sua morte física. Neste dia, teremos finalmente crucificado com Cristo o nosso corpo de pecado e herdaremos uma natureza inteiramente nova, incorruptível e livre do pecado. Este evangelho é o verdadeiro evangelho de Jesus, que não faz apologia do sofrimento e da dor, como muitos criticam, mas sim da vida eterna e perfeita, plena de gozo e bem aventurança, no reino de Deus. Essa vida tem um preço, a maior parte do qual no entanto já foi paga por Jesus, quando entregou como supremo sacerdote, a sua própria vida humana, por todos nós.

